Palestras de tendências e inspirações verão 2012

Água, listras, transparências, vazados, '70

Ontem fui a uma palestra de moda da FIEMG e do Senai Modatec de Belo Horizonte. Esse tipo de palestra, como o Fórum de inspirações da Assintecal, geralmente visa atingir o público dos empresários de moda. Mas o que a gente vê são diversos estudantes de moda cadastrados com o CNPJ de uma empresa “xy”. Os estudantes, por sua vez, bastante conectados, costumam achar essas palestras óbvias demais… E no entanto, resistem por mais de uma hora sentados, aguardando o material impresso que é distribuído ao final; um material que seria muito útil para as pequenas empresas de moda, que não dispõem de muitos recursos ($$$) para pesquisas de moda, como viagens e revistas internacionais. Enfim, há anos é assim… Essas instituições não fazem uma divulgação adequada para o público que pretendem; por outro lado, o material apresentado aos estudantes geralmente está aquém das informações de moda já disponíveis na internet.

Bem, e já que é meio incoerente mesmo, eu vou postar aqui é o material da palestra do Senai de São Paulo, e não do de BH…

Download palestra sobre tendências verão 2011/2012 – anos 70

Download palestra sobre tendências verão 2011/2012 – romântico, minimalismo, híbrido

Ferri Calçados: bom design brasileiro

Da Ferri, soube que são calçados feitos de modo artesanal, que a empresa está no mercado há 25 anos e que tem três lojas próprias (shoppings Morumbi, Higienópolis e Villa-Lobos, em SP).

Queria adquirir os dois calçados abaixo! Mas a marca está sem site e eu não encontro em BH!

Dedos e calcanhar aparecem "pela metade" na sandália-sem-salto ou sapatilha-rasteira da Ferri

Reparem nas proporções: nem sapatilha, nem sandália, nem rasteira. Os dedos abertos, mas o peito do pé coberto. Não cobre, nem descobre o calcanhar. Quando eu tinha uns 11 anos, as meninas do colegial usavam um dockside sem a parte posterior, com o calcâneo descoberto. (Não lembro o nome desse calçado…).

A dica é: cobrir os dedos e o peito do pé, mas libertar o calcanhar. Por que? Torna a forma de caminhar ainda mais despojada, não só pela estética, mas pela questão (anti)ergonômica de ligeiramente “chutar”/empurrar o próprio calçado.

Palhinha trançada, couro natural e salto médio no oxford brasileiríssimo da Ferri

Esse é o Oxford mais brasileiro e mais bonito que eu já vi! A palhinha trançada, tão característica da estética “quatrocentão” (anos 40 e 50) do Brasil, mais o couro com aspecto natural, no melhor estilo “quanto mais velho e desgastado fica, mais bonito é”, transmitem as características de: artesanal, natural, ecológico (no sentido que Gilberto Freyre utiliza, para estética condizente com a ecologia/ética do local). Sem falar no salto médio e grosso, ideal para o conforto do caminhar.

Nesse sentido, eu, ao contrário da Stella McCartney (vegetariana, defensora dos animais, utiliza peles e couros sintéticos / a base de polímeros, e que há duas semanas lançou uma coleção para a fast fashion C&A), apóio o uso do couro natural (pronto, falei!) - e não do material sintético que o mimetiza visualmente – nos acessórios e vestuário. Por que? Porque dura mais, permanece, fica bonito com o uso - ao contrário do sintético, em grande parte vindo da China, país que sintetiza uma “pá” de predicativos negativos/insustentáveis.

Rodarte verão 2011

Uma das marcas que mais gosto, a Rodarte (que trabalha muito bem texturas e recortes). O que tem de sustentável no verão 2011 da grife? Estampas de sequóias e folhas secas. Vestir-se galhos, troncos e folhas… ou melhor, vestir-se da imagem literal da natureza… Isso tem um ponto negativo: o de banalizar, por meio da reprodução em massa, a mensagem da imagem. O que também poderia ser positivo: reforçar a mensagem e unificar (lembrando aqui das funções da moda).

This slideshow requires JavaScript.

Bem, não é das melhores coleções das irmãs Mulleavy, mas tem o mérito do tema das estampas (embora eu prefira o tecido em madeira da Maria Bonita verão 2011, que reforça a mensagem de vestir-se com a natureza). É intimista e confortável (inspirada no jardim da casa em que moravam na Califórnia), sensual (ainda que com algumas estruturas rígidas) e suave. Talvez o principal mérito seja – considerando o território ripongo -  propor uma mensagem nada pastichizada da liberal e ensolarada Califórnia. Uma coleção mais sóbria e comportada, sem deixar de ser feminina.

Inspiramais: salão de design e inovação de componentes [calçados, bolsas e acessórios]

Evento: Inspiramais, da Assintecal

Data: 01 a 03 de fevereiro de 2011

Horário: 13h às 20h

Local: Centro de Convenções Frei Caneca – Rua Frei Caneca, 569, 5º andar, São Paulo – SP

Tag ecológica da Hering

Tag da Hering: biodegradável e com sementinhas, para ser plantada!

Há cerca de quase dois meses, estive numa loja da Hering no Gutierrez (bairro de BH), conferindo novidades “ecologicamente corretas”. Havia uma malha de linho com lyocell, mais algodão e poliéster… (poliéster, sem comentários!). Eu até ia levar a blusa com essa malha, mas… o botão estava descosturando, a modelagem estava meio +/- e até a tag estava saindo. Pois ao manusear a peça, a tag saiu mesmo, e a vendedora me deu-a.

A tag da Hering é ecológica: o material é biodegradável e quase esfarela (é bem aerado) e em seu interior há pequenas sementes. A ideia é plantar a etiqueta, uma forma lúdica de estimular o plantio de árvores por meio da moda!

_____________________

Adendo. Quase dois meses depois deste post, de ter plantado a tal tag ecológica… tcharans…!! Não germinou nada!! E olha que eu adoro cuidar de plantas, tenho uma violeta que só dou água filtrada (está com oito flores!) e dois cactos floridos! Acho que não é culpa minha, acho que essa tag não funciona… :/

O Rio de Janeiro da Osklen na Riachuelo: informações importantes sobre consumo de moda

This slideshow requires JavaScript.

Só se fala disto: a coleção assinada por Oskar Metsavaht para a Riachuelo. Eu diria que é uma democratização do estilo Osklen para as massas, ou uma forma de experimentar o fast fashion.

Bem, eu logo fiquei doida pra conferir a coleção! Fui a uma loja da Riachuelo no Shopping Cidade, aqui em Belo Horizonte, que é um dos mais centrais, com muito movimento e muitas vendas.

Pois qual não foi minha surpresa quando uma funcionária da Riachuelo de lá me informou que:

 a coleção toda “Rio de Janeiro” havia sido transferida para a loja Riachuelo do BH Shopping, porque neste estava tendo mais demanda!

Pra quem tiver interesse sobre essa relação de público-alvo, informação de moda e consumo, dá uma conferida no público do Shopping Cidade e tire suas próprias conclusões! Achei essa informação relevantíssima! Isso pode nos ajudar a nortear qual o público-alvo de um determinado estilo de produtos de moda…

Quanto a mim, talvez eu encare ir ao BH Shopping apenas pra ver a coleção… Mas acho que mais razoável seria me policiar a diminuir o consumo, a praticar o slow fashion. ;)

Por hora, bastam os vídeos e o catálogo da coleção Rio de Janeiro, de Oskar Metsavaht para a Riachuelo.

Moda mineira verão 2011

Acabou de sair um editorial da Elle sobre moda mineira, “Barroco tropical“, com foco nos babados (= movimento, sensualidade, romantismo, feminilidade), bordados (= handmade, preciosismo), estampas e cores fortes (= atrair atenção, sedução, poder).

This slideshow requires JavaScript.

O interessante de vestir a mulher mineira está em considerar o “barroco” como uma forma de se expressar. Há um certo recato e uma sensualidade romântica aparente, em roupas bem cerzidas e bordadas, roupas que requerem cuidado ao manusear, vestir e lavar, ocultando lingeries lascivas, revelando um comportamento dual…

Penso que, em termos de projeto de moda mineira, talvez nós, designers de moda e estilistas, devêssemos considerar uma sensualidade interna das roupas, como um viés de veludo em um bolso interno, ou uma tag interna de oncinha, strass por debaixo de um decote, algo nesse sentido: características de lingeries poderosas por dentro de roupas casuais e despretensiosas.

Em termos comerciais, a moda carioca está sendo muito bem aceita (= vendendo demais) aqui em Belo Horizonte, vide Farm, Cantão e Maria Filó (pra citar as mais jovens e populares). Está na moda aqui um vestir nonchalant, despojado e alegre, com cabelos e unhas impecáveis.

Se der tempo, hoje irei na inauguração da nova loja da Maria Filó, no Pátio Savassi.

Fernanda Yamamoto verão 2011

This slideshow requires JavaScript.

Estreante no line-up da SPFW, verão 2011, Fernanda Yamamoto usou muitas fibras naturais, como seda e gaze de seda,  algodão, crepe, viscose de bambu e couro. Ponto alto para a alfaitaria descontruída com delicadeza! Agora, o que reflete mesmo a estética da moda sustentável (apesar de Yamamoto não se figurar necessariamente neste segmento) além dos materiais, shape e conceito (uma São Paulo etérea), é a cartela de cores, tudo neutro, super-lavado, combinando com qualquer outra coisa do guarda-roupa. Linda coleção! :)

Contudo, eu queria chamar atenção para a malha de visco bambu. Já trabalhei com esse material, fornecido pela Marles, que é muito frágil. Há um post sobre isso em meu velho blog, vide:

A verdade sobre a malha de visco bambu