TOMS Shoe Giving (dica da Sara) + Barefoot College (dica do Genaro) + Rondon

Calçado?

Para a moda, pobreza é não ter o que calçar. São os calçados que conferem dignidade ao homem. Os escravos brasileiros, de dentro da casa dos senhores, se vestiam tão bem quanto seus “donos” (para que estes pudessem ostentá-los perante os demais senhores), exceto por um detalhe: por melhor que o escravo se vestisse, ele sempre estava descalço.

Escravo no Brasil: bem vestido em alguns momentos, mas invariavelmente descalço.

Escravo no Brasil: bem vestido em alguns momentos, mas invariavelmente descalço.

Diante disso, uma empresa de calçados (que poderia ser a Havaianas no pobre Brasil, mas não é) chamada TOMS montou um modelo de negócio em que a cada par de calçado vendido, um é doado para uma criança carente. O vídeo abaixo ilustra bem a proposta do “one for one”.

TOMS Shoe: uma alpargata mais estilizada, em que a cada par vendido, um é doado para uma criança carente.

TOMS Shoe: uma alpargata mais estilizada, em que a cada par vendido, um é doado para uma criança carente.

Essa questão da pobreza estar relacionada a não ter o que calçar me lembrou da Universidade dos Pés Descalços (Barefoot College), que lida com conhecimentos de tecnologia social e um outro modelo de ensino-aprendizagem, voltado para as pessoas desfavorecidas (em $$, mas não em conhecimento).

Barefoot College: desafiando o conceito de pobreza.

O idealizador do Barefoot College, Bunker Roy, “fez uma fala” brilhante no TED. Confiram:

Aqui no Brasil, é diferente.

Eu recebi no e-mail publicidade pra fazer para uma empresa XY de moda verde (não é moda ecológica, nem sustentável, tampouco é moda ética) que, no seu projeto “um dividido por um” (bem aos moldes do TOM Shoes), a cada camiseta vendida, uma é doada para… índios! Aham.

Nossos índios precisam mesmo se “embranquecer” com camisetas provindas de filantropia empresarial momentânea? E seriam essas camisetas aquelas sobras de coleção passadas que não conseguiram nem ser desovadas nos mercados secundários (como outlets)?

A melhor forma de ajudar nossos índios é preservar suas terras e garantir seus direitos – sempre, com projetos consistentes. Sugiro a esse tipo de empresário de moda verde ler o Marechal Rondon (to olhando aqui pra um livro dele na minha estante) que, apesar do discutível positivismo e da transformação da compreensão de sua identidade conforme se dá a História do Brasil em cada momento, foi um cara sensacional, empreendedor, protetor das florestas, implementador de tecnologia (tá bem, o telégrafo não vingou) e um “pai” da política indigenista.

Rondon : o marechal da floresta

Rondon : o marechal da floresta

Livro: Rondon: o marechal da floresta

Autor: Diacon, Todd A.

Editora: Companhia das Letras

Sinopse: Em 1907 – ano em que se estabelece a Comissão Rondon -, a autoridade do governo brasileiro não alcançava todo o país. A falta de comunicação com as regiões afastadas já se tornara, durante a guerra do Paraguai, um problema de segurança – como manter controle sobre um território de dimensões continentais sem que houvesse uma maneira prática de transmitir ordens, receber notícias ou traçar estratégias com as fronteiras distantes do poder central? Apesar disso, quando ergueu a famosa linha telegráfica que cruzaria grande parte da bacia amazônica, Rondon pretendia mais do que criar um canal direto entre governo e província. Ao hastear a bandeira nacional em todas as estações telegráficas, ao tocar o hino em datas cívicas, ele desejava transmitir uma idéia de unidade nacional a essas regiões mais afastadas. O brasilianista Diacon descreve com riqueza de detalhes as principais viagens de Rondon pela Amazônia, além de reconstruir a aventura tragicômica que foi conduzir o ex-presidente norte-americano Teddy Roosevelt em uma das expedições.

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Moçada que me manda e-mail com “sugestão de pauta” ou me “informando” de alguma marca de moda verde com um projeto “escalofobético/megalomaníaco”, um recado: nem perca seu tempo. A sua dica tem que ser muito consistente e não estar vinculada a seu trabalho de assessor de imprensa ou marketeiro.

Dica do Bruno: Louis Vuitton men’s shoemaking + o escravo artesão do futuro

O vídeo abaixo mostra a primorosa e delongada produção de um calçado masculino da Louis Vuitton.

Aliás, a produção é igualzinha ao Luiz Vuitão feito lá na China – “aham, senta lá, Cláudia”.

É pouco provável que hoje se faça roupa e calçado de boa qualidade e com produção semi-artesanal (partes do processo são à mão) usando mão-de-obra extremamente barata (cof, cof, escrava, cof, cof).

Mas as empresas ainda vão conseguir supercapacitar o trabalhador chinês (butanês, indiano, brasileiro, etc.) para produtos feitos com excelente acabamento à mão, de modo que o trabalho caminhe para a superespecialização e sucateamento de seu valor (hora trabalhada cada vez mais barata).

"Abaporu", Tarsila do Amaral. Mãos e pés grandes, cabeça pequena.

"Abaporu", Tarsila do Amaral. Mãos e pés grandes, cabeça pequena.

O diferencial do escravo do futuro é sua superespecialidade em produzir com menos máquinas e mais habilidade de seu polegar opositor.

Polegar opositor, início da diferenciação dos macacos.

Polegar opositor, início da diferenciação dos macacos.

Já sabem fazer Nike, Iphone e “industrianato” (o artesanato que é produzido industrialmente). Agora é só produzir com habilidades de artesão! Já dizia o grande filósofo do grunge, Eddie Vedder, “That’ evolution, baby!”

Superespecialização do polegar.

Superespecialização do polegar.

Ficamos com o início de 2001, Uma Odisséia no Espaço:

Couro humano: das múmias dos pântanos europeus às estatísticas de hoje

Homem de Tollund, uma das mais famosas múmias dos pântanos europeus. Viveu por volta do ano 200 a.C. (uns dizem 400 a.C.), media 1,60 m, tinha de 30 a 40 anos quando morreu enforcado com um laço de couro preso ao pescoço. O cadáver, mumificado, foi encontrado em 1850, em Silkeborg, na Dinamarca. Atualmente, encontra-se no Museu de Copanhague.

A mumificação nas turfeiras aconteceu por vários motivos. De um lado, a quase ausência de oxigênio que ajuda na decomposição, baixas temperaturas, inferiores a 4° C, e a presença de ácido tânico que, por exercer uma intensa ação antibiótica, conserva as camadas externas do corpo, transformando a pele do defunto humano em couro. Além disso, a decomposição da turfa produz alcatrão e asfalto, similares ao betume ou mumyia que os egípcios utilizavam há dois mil anos nos embalsamentos. O resultado final é assombroso e extraordinário, já que é possível reconhecer após muitos anos todos os traços faciais e detalhes da pele. (SENTINELLA, 2008, p. 46).

Teoricamente, ainda há muito couro humano das múmias provenientes dos pântanos europeus. Na prática, isso é diferente (SENTINELLA, 2008, p.57): "o carvão de turfa dos pântanos está se extinguindo alarmantemente em razão de seu uso contínuo e elevado consumo pelos países da região. Além disso, e isso é muito mais problemático, o trabalho de extração do combustível é realizado por grandes e rápidas máquinas que não contribuem para a localização de novos achados, mas na verdade acabam causando sua destruição".

Um dos principais argumentos a favor do couro animal na indústria da moda é que, como os animais já são abatidos para alimentação humana, convém aproveitar sua pele. Isso quando a lógica não é matar por causa da pele, e não também pela carne.

Bolsa Gucci, custa 13 mil euros. A alça é de bambu; o couro é de crocodilo. Não conheço ninguém que coma crocodilo... Eu mesma, no passado, já comi muita carne diferente (javali, rã, água-viva, polvo, etc.), mas nunca vi crocodilo em menu algum...

Nos dias de hoje, em que João, Maria, Pedro e Carolina morrem e são anunciados na mídia como “quatro mortos”, isto é, da identidade humana passa-se à estatística, diminuindo a percepção do valor da vida de um ser humano, talvez daqui pouco tempo vejamos couro humano sendo comercializado.

"Ei, senhor fornecedor, essa epiderme está muito branquela. Eu gostaria de uma mais exótica, africana. Ah, não tem mais de escravos, que pena... Então pode ser de uns mendigos encardidos mesmo. Sim, pra fazer cinto, bolsa e sapato."

Em geral, não se come carne humana (em algumas culturas e quando há acidentes e fome, sim), mas em uma sociedade cada vez mais violenta e que trata da vida de maneira tão matemática, por que não aproveitar o couro da nossa espécie?

"Srta. designer de moda, tenho essa cor, te agrada? A referência é KKK, do nome Klu Klux Klan."

Antes de você, caro leitor, ter uma reação de aversão “credo!!!” baseando-se em conceitos culturais já estabelecidos (rituais, religiosidade, ideologias diversas, etc.), vamos pensar bem… Até que faz sentido… Ao meu ver, a sociedade é tão insensata, que não me espantará ver couro humano inserido primeiramente no mercado de luxo, produtos exclusivos para pessoas que perderam um ente querido que queria virar cinzas (“ah, vamos aproveitar pelo menos o couro das costas da vovó pra fazer uma sandália”).

Já fazem diamantes sintéticos com as cinzas humanas… Até em Curitiba-PR já tem uma funerária que faz a peça. Transformar um morto sem valor em uma pedra de grande valor custa de R$ 8 mil a R$ 28 mil, conforme a Scientific American.

Diamante humano (em inglês, chama-se memorial diamond). A técnica de transformar cinzas humanas em diamante sintético foi desenvolvida na Rússia. E tem muita demanda na Europa.

Tudo é possível, não nos espantemos com a possibilidade do couro humano, além do couro das múmias dos pântanos.

O fino linho lyssos + as sandálias de Tutankamon

Cenário de um enigma da e para a moda.

Como comentei, ando meio obcecada por múmias, quero saber de todo jeito sobre o linho que as enrolava, mas os artigos acadêmicos são insuficientes…

Semana passada, durante a mostra de cinema alemão, comprei o livro abaixo:

Raso e "jornalístico" (não acadêmico), mas compila Heródoto, o pai da História, então está valendo.

Livro: O enigma das múmias

Autor: David E. Sentinella

Editora: Novo Século

Sinopse: Procura esclarecer as dúvidas, tanto na perspectiva da medicina quanto da histórica, em torno desta arte de embalsamar os mortos. O autor, David E. Sentinella, ainda reúne na obra textos de jornalistas e pesquisadores sobre as misteriosas culturas que buscavam conservar os próprios corpos para a vida após a morte. Passando pelas múmias do Egito antigo, catacumbas italianas, pelas múmias guanches das Ilhas Canárias, pelas Chinesas, até as milenares do Chile, ‘O Enigma das Múmias’ nos permite mergulhar num misterioso mundo ancestral.

Pesquisadores investigam a múmia de Tutankamon.

A certa altura (p. 28), o autor começa a citar Heródoto, o pai da História, com as infos que eu ando buscando. Consta na obra História, de 479 a.C., entre os capítulos 85 e 90:

Depois, enchem a cavidade abdominal com mirra pura moída, com canela e outras substâncias aromáticas, exceto incenso, e logo após o costuram (suturam). Feito isso, salgam o corpo, recobrindo-o com natrão durante setenta dias, lavam-no e envolvem-no com faixas cortadas, feitas de um tecido de lyssos (linho muito fino), e untam-no com uma cobertura de uma goma que os egípcios utilizam, em geral, no lugar da cola.

Eu até fiz um esquema básico para ilustrar:

Esquema das camadas externas de uma múmia egípcia. Por corpo entende-se algo salgado por 70 dias, com o natrão dissolvendo a carne e restando pele e ossos. O que me interessa é o lyssos, um linho de baixa gramatura e cujas ligações químicas com natrão, goma e reações com o ambiente, resultaram em um dos tecidos mais longevos da história da humanidade.

Detalhe que o natrão tinha por finalidade comer a carne, deixando só pele sobre ossos. O natrão é um mineral, um carbonato de sódio hidratado (Na2CO3.10H2OH). Em alguns casos, a múmia era colocada em terra conhecidamente pelos egípcios por ter propriedades radioativas. Fato é que continuo sem saber quais as condições físico-químicas que envolvem o lyssos, esse linho tão fino que se situa entre o natrão e a goma natural (a base de quê? os egípcios tinham bom conhecimento sobre os minerais; maizena e água que não era!).

Bem, pesquisando afora pela internet, acabei achando algo bastante curioso: as sandálias de Tutankamon, vide o blog de Lorenzo Madrid (aliás, excelente blog sobre viagem e cultura, com um olhar intelectual e despretensioso).

Sandálias de Tutankamon equilibram o excesso de ornamentos gráficos com o mínimo de material e solução técnica. Praticamente a mesma receita de bolo das Havaianas.

 

Havaianas: design gráfico com ares pop e multicultural + mínimo de material + facilidade produtiva.

A ética e tendência da toga-túnica egípcia

Kalasiris, longa túnica unissex, e chanti, saia masculina. Não há imagens na internet para a toga-túnica egípcia.

Informação que consta em O império do efêmero, do filósofo-mor da moda Gilles Lipovetsky, e que foi assimilada / compilada / parafraseada / citada / roubada em n-trabalhos acadêmicos e posts sem os devidos créditos, diz que:

No Egito antigo, o mesmo tipo de toga-túnica comum aos dois sexos manteve-se por quase quinze séculos com uma permanência quase absoluta (…). – p. 29

Observação: naquela época, não havia conceito de moda, o qual começa a se esboçar no final da Idade Média, com a burguesia copiando as roupas da corte, e os velhos ricos procurando se distinguir dos novos ricos, fazendo rodar a máquina. Mas moda mesmo, enquanto prêt-à-porter, surge na França, 300 anos depois, com Charles Frederick Worth, ok?

Vestimenta egípcia.

Logo, dessa citação, pretendo ir além do meramente compilado e ressaltar o seguinte:

  1. androginia: a roupa respeita – e não impõe! - a escolha social do gênero/sexo
  2. atemporalidade: 1.500 anos sem mudar nada
  3. simplicidade: não há costuras, não há lojas, não há… 
  4. facilidade de produção + handmade: não haviam máquinas!
  5. moulage + respeito ao formato do corpo: tecido enrolado e ajustado conforme o corpo
  6. não tingimento: eram brancas, mesmo havendo pigmentos naturais
  7. tecido natural: como o algodão, linho e cânhamo
  8. acabamento natural: as egípcias usavam uma cera no tecido para ajustá-lo ao corpo, cobrindo o todo, mas de forma sensual
  9. flexibilidade de uso: toga-túnica = toga + túnica, duas roupas em uma, ampliando as possibilidades de uso
  10. sensualidade inversa: mulheres não revelam pernas, barriga ou peito, cobrindo-os, de forma a revelar contornos e não pele. Homens mostram músculos e pelos (atributos de masculinidade) e usam saias largas (peça de vestuário estigmatizada como feminina).

Todos esses itens nós veremos se consolidar na moda sustentável nos próximos anos… É projetar com o olhar para mais de 3.000 anos de história do vestuário.

Nefertiti (= "a mais bela chegou") e o faraó Akhenaton (ex Amen-hotep), que reinaram no Antigo Egito, +/- 1.300 anos antes de Cristo.

Em 2007, a coleção Amazon Guardians da Osklen, com foco em moda sustentável, apresentou diversos desses conceitos implicitamente. Aliás, essa coleção é um marco na moda sustentável brasileira (vide minha monografia).

Toga romana, situada historicamente entre a toga-túnica egípcia e o moulage de Madeleine Vionnet.

Com que roupa (lavada e passada) eu vou?

Análise combinatória, arranjo simples, permutação... Como escolher matematicamente uma roupa?

O bom de estudar “engenharia de precisão” e “usinagem por abrasão” – nada a ver com moda – nesse belo feriado é que meu raciocínio fica “quantificado”… [ironia e lamentação]

Aí, pra dar uma quebrada no gelo da lógica, fico ouvindo músicas simpáticas, como Noel Rosa. Também acabo perdendo um pouco de tempo, procurando uma vinheta que foi vencedora do 6º Prêmio Bravo! . Não qualquer vídeo, mas o de uns conhecidos/amigos da minha irmã, uma gente talentosa daqui… Preste atenção abaixo no jogo das palavras, no design gráfico, na comunicação social!

Antes de tomar banho, catarolando pela 10ª vez “fita amarela” e “com que roupa eu vou”, noto:

  • um monte Everest de roupas para passar
  • outra montanha de roupas para lavar
  • mais o tanto que a máquina lava neste momento
  • e sem contabilizar tudo que consta no guarda-roupa

Ao meu ver, tarefa doméstica (ex. cuidar das roupas) é uma coisa enfadonha (dentre outros adjetivos pejorativos) elevada a n-ésima potência.

Traje de lavadeira do início do séc. XX: chita, renda, cachené, serapilheira e malha de bater a roupa.

Além disso, é anti-ecológica – se feita assim, individualmente, como é costume/modo em nosso país.

Os primeiros estudos sobre sustentabilidade e moda enfatizavam a questão da diminuição da energia gasta (alguns estudos demonstram que lavar-passar roupa é das atividades que mais consomem energia numa residência).

Imagem genérica de um sistema de aproveitamento de águas pluviais em residência.

Um dos cenários de sustentabilidade traçados (Vezzoli 2008), contemplando o design de sistemas (serviços + produtos), aponta o seguinte:

  1. Dividiremos – proposta de centros de troca e manutenção de roupas, o que implica em:
    1. Troca leva à intensificação do uso de cada peça (maior ciclo de uso de produto);
    2. Economia de escala na lavagem e tratamento das roupas;
    3. Recuperação em cascata finalizada na reciclagem dos materiais dos trajes e na reutilização dos recursos.

Nessa proposta, está incluído um serviço ainda oneroso no Brasil: Lavanderia.

Lavanderia industrial

Um ex-namorado meu só mandava as roupas para lavanderia, custava tipo uns 70 reais por semana, aqui em BH. Para mim, não é economicamente sustentável – mas só porque eu ainda não saí dessa vida de estudante! ehehe

Falando sério, tínhamos que aumentar essa demanda, para:

  1. baratear um pouco o custo do serviço de lavanderia;
  2. poupar nosso tempo na “inutilidade” doméstica - minha bisavó dizia “serviço doméstico é um faz-desmancha”;
  3. minimizar o impacto ambiental (gastos de água e luz) das roupas.

Lavanderia brasileira: olááá-ah! =)

Homem de regata: só o de Michelangelo!

Reza a história das camisetas que a primeira regata (camiseta sem mangas) surgiu em XVI.

Bem, na verdade o primeiro registro de homem usando regata é o do Escravo Moribundo, de Michelangelo, de 1516.

Escravo moribundo, de Michelangelo: primeiro registro de homem de regata.

Interessante é que a moda da regata não pegou naquela época.

Somente um homem na expectativa da morte deveria usar regata...

Momento reacionário: essa moda não devia ter pegado nunca. Já apurei empiricamente com minhas amigas e nós não gostamos de homem de regata. Por que?

  1. É vulgar ficar exibindo o corpo (no caso de haver músculos nos braços);
  2. Também é decepcionante notar um bíceps flácido;
  3. Razão principal: o suor debaixo do braço + o excesso de pelos = argh!

Higiene e discrição/elegância são duas questões éticas que as regatas masculinas definitivamente não privilegiam…

Até o Brad Pitt fica feio mostrando pelos, músculos e suor.

Velho Mundo, velhas conversas, novos encontros, novos projetos

Ontem tinha ido à comemoração do Centenário da Escola de Engenharia da UFMG e, no coquetel, o papo que mais rendeu foram cidades européias e respectivos estilos de vida, hábitos, moda e tal. E eu só tinha meu conhecimento dos livros, não a experiência “in loco”. No mais, é aquele papo clichê: as “tendências” das classes altas de lá chegam para o nosso povão daqui com três anos de atraso.

Oxford: quando era moda "lá fora", não existia aqui. As fashionistas queriam, não tinha. Teve fila de espera na loja da Luiza Barcelos, uma das poucas marcas que trouxe a "tendência de fora" com "antecipação". Hoje tem na Feira Hippie de BH.

Mas, ops! Não existe essa questão de “atraso”. Os produtos chegam aqui no tempo certinho de seu ciclo de vida (cuidado, esse ciclo de vida não é do conceito de design para sustentabilidade). A noção do “atraso” é de uma mentalidade de julgar que o de fora é o mais “inovador”, “vendável” e “sinônimo de comportamento de consumo brasileiro”.

Essa história toda de Europa ontem até me deu vontade de voltar a projetar coleções de moda vestuário, mas somente com o seguinte objetivo:

fazer duas coleções simultaneamente: uma inteira copiada das “tendências de fora” e outra genuinamente brasileira, de criação própria, só pra ver qual tem mais sucesso (de venda, público e mídia). Com o mesmo procedimento de uma experiência prática em uma pesquisa acadêmica e testando um conceito.

Bem, agora que a minha irmã está indo morar um ano na Alemanha (passou em 1º lugar numa bolsa da UFMG) e um dos meus melhores amigos e ex-namorado está indo morar dois anos na Itália (passou numa seleção de bolsas da UEMG), certamente irei visitá-los, afinal um dia ambos admitiram terem vindo a BH por causa de mim… E quem sabe não fazemos juntos uma pequena coleção para testar nossos paradigmas de colônia pós-moderna? Acho que vou expor isso para eles no próximo domingo, em que eles vem almoçar comigo a comida que eles gostam que eu faça, uma massa ao molho branco… Um recomeço, acho que nós três precisávamos disso.

Família no Brasil colonial: modas européias em terras tropicais

Opa, e o Ravi acabou de ligar chamando pra sair agora nesse fim de domingo e fim de dia dos namorados! Não, não, hoje não que eu já estou de pijamas, mas no ano que vem sim, mangiando un gelato e parlando d’amore e da buona vita, com mia sorella. ;)